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Áudio revela armação entre Joesley e Ricardo Saud para derrubar o governo e conquistar a impunidade

A Veja revelou, há pouco, um áudio de 32 minutos de uma conversa entre Joesley Batista e Ricardo Saud. Aparentemente, ambos estavam se gravando sem perceber, mas a conversa entre eles foi registrada e o áudio, diferentemente daquele entre Joesley e Temer, é bastante nítido.

Diz a Veja:

Em um dos pontos mais sensíveis do áudio, possivelmente gravado no dia 17 de março, Joesley e Ricardo Saud afirmam que Fernanda, possivelmente a advogada Fernanda Tórtima, “surtou” porque, a depender dos rumos da delação e de qual autoridade citassem em depoimento, os dois poderiam “entregar” o Supremo, em referência a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na conversa entre ambos, fica evidente que eles pretendiam usar suas conexões com o procurador Marcelo Miller, aquele que saiu da PGR para atuar no escritório que advoga para a J&F, para se aproximar do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e usá-lo a fim de conquistar a impunidade.

Em um trecho da conversa, foi dito o seguinte:

“Eu quero nós dois 100% alinhado com o Marcelo…nós dois temos que operar o Marcelo direitinho pra chegar no Janot…eu acho…é o que falei com a Fernanda [possivelmente Fernanda Tórtima, advogada]…nós nunca podemos ser o primeiro, nós temos que ser o último, nós temos que ser a tampa do caixão…Fernanda, nós nunca vamos ser quem vai dar o primeiro tiro, nós vamos o último…vai ser que vai bater o prego da tampa”, diz Joesley Batista em um dos trechos da gravação. “Nós fomos intensos pra fazer, temos que intensos pra terminar”, completa o empresário.

Já em outra parte, Joesley diz a Saud como conquistar a confiança do PGR:

“Cara, eu vou te contar um negócio, sério mesmo. Nós somos do serviço, né? (A gente) vai acabar virando amigo desse Ministério Público, você vai ver. Nóis vai virar amigo desse Janot. Nóis vai virar funcionário desse Janot. (risos). Nós vai falar a língua deles. Você sabe o que que é?”, questiona Joesley.

Ouça o áudio na íntegra:

https://soundcloud.com/veja-com/audio-jbs

O que ainda não ficou claro até o momento – embora ainda existam mais áudios a serem revelados – é o que levou Janot a não apenas aceitar, mas defender com unhas e dentes o acordo de impunidade oferecido à JBS. A julgar pela conversa envolvendo o nome da advogada Fernanda Tórtima, é possível que houvesse gente do Supremo interessada no acordo.

Pode ser o fim da República, e certamente é o fim da narrativa de um Joesley herói e renovado.


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