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Folha admite ter publicado fake news sobre Alckmin, mas agências de checagem passaram longe do caso

A Folha de São Paulo admitiu, em artigo publicado ontem, que publicou uma notícia falsa a respeito do pré-candidato à presidência Geraldo Alckmin, afirmando que ele teria recebido R$ 5 milhões em propina em sua campanha de 2010, e que isso estava sendo investigado pelo Ministério Público.

No texto em que admite o “erro”, a Folha diz:

Esta Folha publicou, no dia 20 de maio, reportagem afirmando que o ex-governador Geraldo Alckmin teria recebido dinheiro —R$ 5 milhões— da concessionária de estradas CCR para caixa dois de sua campanha ao Governo do Estado de São Paulo em 2010. Segundo o texto, tal fato constava de uma investigação a cargo do Ministério Público.

A defesa do ex-governador, depois de publicada a reportagem, obteve cópias integrais da tal investigação. Nela simplesmente não consta nenhuma referência, muito menos acusação, sobre Geraldo Alckmin. O fato, noticiado como verdadeiro, não existe. Não havia nem sequer menção indireta ao ex-governador.

Publicada às vésperas da sabatina Folha-UOL-SBT, essa reportagem fez com que, nessa entrevista, Geraldo Alckmin gastasse o tempo precioso destinado à divulgação de propostas apenas para se defender da falsa acusação.

É esquisito que um jornalista ou até mais de um deles tenham publicado uma informação tão enfática sem que ela constasse, nem mesmo de passagem, nos documentos do Ministério Público. Na realidade é até suspeito que a matéria tenha ido ao ar sem nenhum tipo de validação. Se o caso é de que houve um equívoco, neste caso específico ele deveria ter sido apurado antes da publicação, não semanas depois.

Logo depois, o texto ainda diz:

A reportagem deu o inexistente como certo, e a Folha embarcou no erro jornalístico. Alertado, o jornalista buscou hipóteses futuras para justificar seu erro no presente. Se alguma fonte passou ao jornalista a informação falsa, merece descrédito. Mas, se o jornalista fez a aposta de que o fato virá a existir, inaugurou um novo segmento do jornalismo: o da quiromancia investigativa.

Como se vê, o próprio jornal admite não ter feito nenhuma espécie de averiguação. Certamente a errata só veio a ser publicada, e isso mais de duas semanas depois, porque a defesa do tucano deve ter pressionado os editores. Esquisito mesmo, no entanto, é o fato de a matéria ter ficado no ar todo esse tempo, diversos jornalistas terem-na replicado em outros portais, mas nenhuma agência de checagem ter desmentido ou pelo menos investigado a acusação.

Em um momento no qual tanto se fala sobre “fake news”, quando o Facebook e até mesmo o Tribunal Superior Eleitoral estão dando espaço para os fact-checkers, fica a pergunta: Quem checa os checadores? O que exatamente faz com que um jornal de nome e peso como a Folha não seja, naturalmente, um alvo comum de averiguações do gênero, ainda mais dado o seu recente histórico de publicação de notícias falsas como no caso Marielle?

Lupa, Pública e tantas outras agências de checagem parecem ter deixado mais essa passar, provavelmente por estarem muito ocupadas investigando blogs minúsculos de seus adversários políticos.

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