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Helena Chagas: "Janot virou carvão no churrasco mal-feito dos irmãos Batista aos 45 minutos do segundo tempo"

Helena Chagas escreveu um artigo para o Blog do Noblat questionando “quem será o espertão geral da República?”

Indagação referente, é claro, a Rodrigo Janot, o procurador geral da república, ou como está sendo chamado agora pelas redes sociais “o palhaço geral da república”.

Helena ressaltou, sobre a conversa de Joesley Batista com Ricardo Saud onde eles aparecem falando sobre “dissolver o Supremo Tribunal Federal” que o destino para os dois deve ser a cadeia.

O destino não reserva boas coisas a quem diz que vai moer, ou dissolver, o Supremo Tribunal Federal. Poucos têm dúvidas de que o próximo destino de Joesley Batista e Ricardo Saud deve ser a cadeia, assim como até as pulgas do tapete verde da Câmara apostam que Michel Temer enterrará lá a segunda denúncia do PGR contra ele – e isso antes mesmo de ela ser apresentada.

Sobre a atuação de Rodrigo Janot, Helena escreveu que o PGR virou “carvão no churrasco mal feito dos irmãos Batista aos 45 minutos do segundo tempo”.

São desfechos previsíveis de curto prazo para a crise deflagrada pelas gravações que desnudaram fatos comprometedores, omissões, bravatas e cafajestadas dos colaboradores da JBS. Assim como corre solta a avaliação de que o procurador Rodrigo Janot virou carvão no churrasco mal-feito dos irmãos Batista aos 45 minutos do segundo tempo.

Confira o restante do texto na íntegra:

Acima e além do imediato, porém, está a interrogação sobre o que mais importa, do ponto de vista político, jurídico e histórico: o episódio que desmoralizou a colaboração da JBS servirá como  operação abafa para a Lava Jato?

Os próximos dias serão de muito debate político e confronto jurídico em torno da tese de que, uma vez anulado o acordo de delação, as provas obtidas são preservadas e valem para denúncias e condenações, defendida por Janot. Do outro lado, já se levanta um exército de juristas e advogados pregando o contrário, com base na teoria da maçã da árvore podre, segundo a qual  prova obtida em procedimento ilícito deve ser desconsiderada.

A decisão será do Supremo, que, sabe-se, hoje se inclinaria a anular a delação, prender os delatores e manter as provas. Se não for rápido no gatilho para julgar o assunto, porém, corre o risco de ver os ventos virarem. Ou acabar soterrado por uma nova realidade criada do outro lado da rua.

A reação mais forte pode não vir das teses jurídicas que querem anular delações premiadas e provas. Virá do Congresso, onde o questionamento à colaboração da JBS e a derrota de Janot acabam de abrir um enorme flanco de reação, produzindo o quase milagre de unir a base governista.

Por quê? Porque, para muita gente, chegou a hora de a onça beber água, ou seja, de deputados e senadores tomarem coragem para votar medidas e projetos que foram obrigados a engavetar antes por medo da opinião pública. O episódio parece ter dado auto-confiança e, sobretudo, narrativa a esse pessoal.

Começam a falar em ressuscitar projetos como o que pune o abuso de autoridade e os que mudam dispositivos tornando mais restritas a delação premiada e a prisão preventiva.

Também a revogação da prisão de condenados na segunda instância, uma missão que está no script da maioria flutuante do Supremo, pode vir por alterações na lei. À mais alta corte do país, cujo ativismo político se deve em grande parte a omissões do próprio Legislativo, não restaria outra alternativa a não ser obedecer à nova norma legal.

Nessa linha, a quase morta reforma política, coincidentemente, saiu da UTI no mesmo dia em que a delação da JBS bateu na praia. A PEC que cria a cláusula de barreira e acaba com as coligações proporcionais foi votada na Câmara. E quem garante que, nas próximas rodadas, que vão tratar do financiamento de campanha, não apareça alguma proposta sobre anistia ao caixa 2?

Em 24 horas, muitos personagens já se mobilizaram para surfar na nova onda. O líder e presidente do PMDB, Romero Jucá, por exemplo, foi ágil ao lembrar que o suspeito ex-procurador Marcello Miller não cuidou só da delação dos irmãos Batista, mas também das de Sérgio Machado, Delcídio Amaral e Fernando Baiano – e que pode ter “contaminado” também as outras. Nesta quarta, Jucá, também acusado, ensaiou a narrativa: “O Congresso tem que checar que tipo de armação foi feita contra a classe política e a economia”.

Armação ou não, podemos estar prestes a descobrir que nem Janot e nem Joesley são professores ou “espertões”, como disse o empresário delator em suas conversas deselegantes. Afinal, acabaram moídos e enganados.

A disputa pelo titulo de espertão geral da República anda ferrenha e se trava hoje entre os inquilinos do Planalto e os do Congresso.

Fonte: http://noblat.oglobo.globo.com/artigos/noticia/2017/09/quem-sera-o-espertao-geral-da-republica.html

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