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Jornalista que viveu 6 meses disfarçada na Coreia do Norte mostra que a realidade lá é pior do que se pensa

A BBC Brasil publicou uma matéria que é, no mínimo, reveladora sobre o lado interno da Coreia do Norte.

Uma jornalista sul coreana chamada Suki Kim, cuja família foi dividida durante a Guerra das Coreias, ficou por um período de seis meses lecionando inglês na única universidade privada do país, restrita apenas aos filhos da elite local.

Abaixo, trechos do relato da jornalista:

O governo tem que aprovar tudo o que ocorre na universidade. Eles selecionam os estudantes, que são principalmente filhos dos funcionários do partido dirigente. Na Coreia do Norte, o governo decide tudo sobre o indivíduo: a carreira que seguirá, a escola onde estudará, as atividades que fará. O governo define as escoltas que vivem com os professores no campus e seu trabalho é monitorá-los 24 horas por dia. Eu tive uma escolta me vigiando dia e noite, literalmente, já que dormia no quarto abaixo do meu.

Segundo Suki Kim, o governo a vigiava dia e noite, literalmente:

Vivi o tempo todo aterrorizada. Se não tivesse escrevendo o livro, minha situação teria sido diferente, mas estava tomando notas em segredo e sabia que nunca ninguém tinha tentado fazer isto no país. Mantive minhas notas em memórias de USB e sempre as levava comigo. Todos os dias apagava tudo do meu computador e não deixava nenhum rastro do meu trabalho. A possibilidade de que a minha escolta descobrisse essas notas me dava arrepios. No meu quarto, havia microfones ocultos; e todas as aulas que eu dava eram gravadas. É um sistema de medo constante e vivi aterrorizada pensando que poderia morrer ali.

A jornalista ainda relatou que tentava entender as pessoas com quem lidava diariamente, tentava compreender seus sentimentos, mas alegou que isso era quase impossível porque a vigilância constante faz com que todos vivam em medo constante. Em tal situação é natural que as pessoas revelem muito pouco de si mesmas.

Para o resto do mundo, a Coreia do Norte é um enigma. Mas o que pensam os norte-coreanos sobre o que está além de suas fronteiras? Suki Kim assegura que estes jovens não têm permissão de expressar nenhuma curiosidade sobre o mundo exterior. E isto, diz a escritora, é um tipo de abuso psicológico que condiciona cidadãos a aceitar o que lhes rodeia sem questionamentos. Nesta época, em 2011, os estudantes nunca tinham ouvido falar de internet, e eu era proibida de falar sobre isto. Eu tinha ordens estritas de não revelar nada sobre o mundo exterior e eles não tinham nenhuma informação sobre o que ocorria fora de seus país, não conheciam o Taj Mahal, nem a Torre Eiffel, e tampouco sabiam quem era Michael Jackson. A televisão na Coreia do Norte tem apenas um canal com programas sobre o Grande Líder. Também são transmitidos programas da China ou da Rússia, todos baseados nos “ideais socialistas”.

A matéria é reveladora. Suki Kim foi uma a primeira a ficar e sair do país tomando notas e dando mais clareza sobre o tema. Por ter conseguido trabalhar e ter contato mais direto com norte coreanos, ela conseguiu revelar uma realidade da qual todos já suspeitavam há muito tempo.

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13 comentários

  1. Excelente matéria e muito coragem da escritora. Sidão, menos inveja. Se quer saber mais, vá lá e faça o que Ela fez ou melhor, compre o livro dela…

  2. antonio barbosa

    Comunismo é isso. Ou se submete ou morre.

  3. Exatamente como nos regimes direitistas.

  4. Achei que poderia ter um pouco mais de profundidade jornalistica!

  5. Excelente matéria.

  6. Ela passou por tudo isso descrito no texto para escrever um livro, lembrando que ela vive na Coreia capitalista, por que motivo ela deveria expor detalhes desse trabalho sendo que provavelmente em breve o livro com tudo detalhado estará disponível para os interessados?

  7. Muito interessante a matéria do jornal e da repórter/professora mas eu que nunca cheguei nem perto de qualquer uma das coreias sei mais da coreia do norte do que jamais sonhou essa vã matéria ridícula e que não informa ou diz nada sobre o país, costumes e pessoas. Matéria muito ruim mesmo !!!!

    • Concordo!… Nenhuma novidade e pior falou o que todos já sabem parecendo algo inédito.

    • Ali costumes e tradições tem que ser esquecidos e as pessoas viram autômatos, zumbis, que somente referenciam as estátuas dos ditadores. A repórter transmitiu a essência maléfica e aterrorizante do legítimo comunismo, parabéns !

    • Ela não revelou nada na entrevista porque como ela mesmo disse, está escrevendo um livro sobre a vida na Coreia do Norte. Se conta o livro não vai vender. Mania de ficar atacando qualquer coisa. Menos…

    • Seu senso de crítica é pior que a matéria, estudei na korea do Sul e sei muito bem o que se passa além das fronteiras deste país, se vc nunca passou perto de lá e sabe tanto deve ser adivinho ou ler tudo que escrevem e se julga conhecedor, mas se ela está escrevendo um livro pra que revelar tudo numa matéria? Vc se superou na ignorância e burrice.

    • Sidão….já que conseguiu saber tanto sobre a Coreia do Norte, a ponto de considerar muito ruim a matéria, poderia dividir conosco os seus conhecimentos e nos revelar as coisas que só você e outras poucas pessoas conhecem sobre como é de fato a vida e dessas pessoas.

  8. Viver em um pais comunista só e comparável a época do homem das cavernas, o sujeito é ‘caçado’ a todo instante pelo governo.

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