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Ciro Gomes não poderia ser presidenciável em qualquer país sério

por Roger Scar

A Folha noticiou que Ciro Gomes e “blogueiro ligado ao MBL” se desentenderam em fórum. O Congresso em Foco falou em “discussão”. Em nenhum dos casos o título ou a chamada das matérias menciona o fato de que o presidenciável ter dado um tapa na nuca de uma pessoa (Arthur do Val) que lhe fazia perguntas diante de uma câmera.

Eufemismos de lado, o que aconteceu foi uma agressão. Podem até dizer que foi uma pequena agressão, sem sequelas ou ferimentos graves, mas ainda assim foi agressão. Dar um tapa em alguém é um claro sinal de desrespeito e uma tentativa de humilhação, especialmente se não há, neste caso, qualquer evento prévio que justifique o ato. É bem diferente, por exemplo, da “agressão” sofrida por Manuela D’Ávila, uma “agressão” na qual um sujeito apenas faz um gracejo diante da câmera de um celular e sai correndo, sem tocá-la, sem feri-la ou mesmo sem ofendê-la.

Como se vê no vídeo acima, Ciro não foi ofendido pelo Arthur. Ele foi questionado sobre coisas que disse – e ele disse mesmo – e depois foi confrontado por mentir, quando negou ter dito. De qualquer forma o tapa em Arthur é grave quando se supõe que o político pretende ser candidato à presidência, mas é ainda mais grave que ele tenha sugerido agir contra a lei e levar um criminoso condenado a uma embaixada, assim como é gravíssimo que ele tenha dito em alto e bom tom que receberia um juiz federal e agentes da Polícia Federal “na bala”.

O caso é que Ciro Gomes não age assim agora, ele é deste jeito. Trata-se de um sujeito boçal e truculento que sempre esteve do lado errado em qualquer situação. Em 2002, durante sua campanha à presidência da República, ele disse em entrevista para a Folha sobre Patrícia Pillar, sua então esposa: “A minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo. Dormir comigo é um papel fundamental.” (Fonte)

Em 2009, no Congresso Nacional, Ciro soube da acusação feita pelo Ministério Público de que ele teria usado dinheiro da Câmara – portanto dinheiro nosso – para financiar as viagens internacionais da própria mãe, e disse: “Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém.” (Fonte)

Em 2014, numa comitiva que contava com a presença de Arthur Chioro, então Ministro da Saúde do governo Dilma, uma senhora que ali estava questionou Ciro Gomes sobre a real necessidade das obras da Copa do Mundo, considerando que os hospitais estavam precários. Ciro a destratou, praticamente ignorando a pergunta, e quando um dos membros da comitiva puxou conversa com a mulher, ele puxou o homem para dentro dizendo: “‘Ela não quer tratamento nenhum, deixa ela se virar com a Copa do Mundo dela aí.”

Em março de 2016, durante protestos contra o ex-presidente Lula e a contra o PT, manifestantes se aproximaram da residência de Cid Gomes.. Em vídeo gravado pelos próprios manifestantes, dá para ver Ciro Gomes gritando histericamente e esbravejando contra as pessoas ali presentes, acusando-as de fascismo por criticarem seu irmão, que minutos antes defendia Dilma Rousseff. No mesmo vídeo o talvez futuro candidato chama Lula de “merda” (embora o apoie até hoje) e diz que ele não é inocente, e insinua que quer dar um tiro na cabeça de quem está ali.

Fora as acusações de agressão contra sua ex-esposa, Patrícia Pillar, Ciro também já foi investigado por diversos crimes quando governou o Ceará e a capital Fortaleza, dentre outras coisas. Ele também é o tipo de oportunista que troca de partido ao sabor do momento. Ora apoiava José Serra contra Dilma, ora se tornava chefe de campanha de Dilma contra Serra. Ora dizia que Lula é “um merda” e negava sua inocência, ora dizia que ele deve permanecer em liberdade.

Um sujeito com esse temperamento e essa postura vergonhosa não seria presidenciável em lugar nenhum do mundo. Na realidade alguém assim já estaria há muito tempo usando camisa de força.

Ler também: Dossiê – Ciro Gomes

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