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Existe um Trump brasileiro e não é Bolsonaro

por Roger Scar

O deputado Jair Bolsonaro vem tentando emular Donald Trump desde 2016, ano em que o presidente americano se elegeu. Para isso ele adota os discursos “polêmicos” e uma postura “agressiva” com a imprensa. No entanto, o que Bolsonaro realmente tem em comum com o presidente da maior nação do mundo? Na prática, absolutamente nada.

A verdade é que nesta eleição existem dois tipos de candidato. De um lado os caciques da velha política, representados por Ciro Gomes, Marina, Alckmin, Manuela D’Ávila e até o próprio Bolsonaro. Do outro lado há Flávio Rocha, que nunca foi político de carreira e não enriqueceu com ela. Enquanto os outros fazem parte do establishment, Flávio segue correndo por fora e tentando fazer seu nome sempre evitando se vincular aos poderosos coronéis ou capitães da política nacional.

Sim, é verdade que Jair Bolsonaro tem sido duramente atacado, por vezes injustamente, mas isso já ocorreu com muita gente. Até Aécio Neves, que hoje conhecemos com muito maior clareza, foi vítima de calúnias petistas durante a campanha em 2014, mas nem por isso merece ser presidente. Bolsonaro, aliás, quis ser vice dele na época e hoje finge que nunca aconteceu.

Seja como for, o deputado não é em nada muito diferente dos outros. Político de carreira, com seis mandatos como deputado federal, Bolsonaro passou a encampar o discurso conservador apenas quando enxergou nisso uma oportunidade. Sua atuação no Congresso prova exatamente o contrário. Ele votou, tanto em casos recentes como antigos, a favor de toda a política econômica que foi adotada na era petista. Já se declarou inúmeras vezes contra as privatizações, apesar de também ter negado isso sempre que é questionado a respeito.

De certo modo Bolsonaro não é mais do que um político comum, que tem a seu favor coisas minúsculas como “ser atacado pelas esquerdas” e não ter se envolvido em escândalos de corrupção. Se for assim, Álvaro Dias é tão candidato quanto ele. Se for assim, até Manuela D’Ávila serve. Eles também não são acusados criminalmente, não se envolveram em corrupção até onde se sabe e um deles – no caso, o Álvaro – é atacado pelas esquerdas frequentemente.

Quando questionados os fãs do deputado não sabem afirmar no que ele se destaca. Quando questionados sobre o passado do deputado, alegam que ele mudou. Mas mudou mesmo? Improvável, já que suas atuações recentes na Câmara demonstram votos exatamente como os que ele dava no passado. Naquilo que realmente importa, que é sua atuação política, Bolsonaro não passa de uma nulidade completa, é alguém que sem os discursos “polêmicos” e os ataques da própria esquerda seria completamente desconhecido do povo. Como todo bom oportunista ele apenas se aproveita de qualquer holofote para se dar bem.

Flávio Rocha, enquanto isso, gerou empregos e assim como muitos empresários colaborou ativamente com a economia do país. Ele ficou rico trabalhando, por isso não teve tempo para a política. Para denegri-lo, no entanto, vale tudo. Chantagem, ameaças, ataques contra sua empresa. Mesmo assim ele continua firme e forte. Enquanto Ciro, Bolsonaro, Lula ou Alckmin estavam brigando por seus cargos nada suados, Rocha esteve fazendo sua parte como membro de uma sociedade que anseia por mudanças, mas que nunca vê tais as mudanças realmente acontecerem.

Quem esteve na política desde o começo agora promete mudar tudo. Prometer, entretanto, é bem fácil. Isso até Dilma Rousseff conseguia fazer. E quanto às ações de fato? O que todos esses candidatos cheios de promessas fizeram até hoje para merecerem a nossa consideração? Eles já tiveram inúmeras chances de provar valor, mas nunca provaram. Já tiveram vários mandatos para mostrarem a nós pelo que lutam, e eles mostraram que não lutam por nós, mas por eles próprios. A razão, a propósito, é muito simples: eles não jogam em nosso time, por isso vender a imagem de Bolsonaro como um outsider não cola. Ele esteve do lado de dentro desse jogo o tempo todo e é muita ilusão crer que em todos esses anos ele agiu pelo povo mesmo que não haja uma só evidência disso.

Flávio Rocha, no entanto, é um outsider. Sua campanha, ainda em estágio embrionário, é alvo de críticas e chacotas. Mas a campanha de Trump também foi. Assim mesmo e com tudo contra ele, o empresário americano derrubou os maiores nomes de seu próprio partido e bateu de frente com uma imprensa poderosa e um partido que lutava com unhas e dentes para não perder o trono.

Existe mesmo um Trump brasileiro, e ele é Flávio Rocha.

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2 comentários

  1. Propaganda para.

  2. Flavio Rocha vai ser vice do Meireles …isso não é pertencer a velha política? Estranho vc não citar o João Amoedo……

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